Origem da data
A proposta chegou Ă ONU depois de anos de campanha de organizaçÔes da sociedade civil, que argumentavam algo simples: meninas eram invisĂveis nas estatĂsticas. Contadas ora como "crianças", ora como "mulheres", ficavam sem polĂticas prĂłprias justamente na faixa etĂĄria em que as desigualdades se instalam â entre os 10 e os 19 anos.
Em 19 de dezembro de 2011, a Assembleia Geral das NaçÔes Unidas aprovou a resolução 66/170, que declarou o 11 de outubro como Dia Internacional da Menina. A primeira edição, em 2012, teve como tema o fim do casamento infantil. Desde entĂŁo, cada ano recebe um foco: educação, tecnologia, violĂȘncia de gĂȘnero, liderança, saĂșde.
O texto da resolução parte do reconhecimento de que meninas enfrentam barreiras acumuladas: abandono escolar precoce, trabalho domĂ©stico nĂŁo remunerado, gravidez na adolescĂȘncia, casamento forçado, mutilação genital em alguns paĂses e menor acesso a formação tĂ©cnica. A data Ă© o instrumento de cobrança anual sobre esses pontos.
Os trĂȘs objetivos centrais
- Educação. Manter meninas na escola Ă© a polĂtica que mais muda trajetĂłrias: adia a maternidade, amplia renda futura e reduz a exposição Ă violĂȘncia domĂ©stica. O foco global estĂĄ na transição do ensino fundamental para o mĂ©dio, ponto em que a evasĂŁo feminina cresce.
- Fim do casamento infantil. MilhĂ”es de meninas em todo o mundo ainda sĂŁo casadas antes dos 18 anos. No Brasil, a Lei 13.811, de 2019, alterou o CĂłdigo Civil para proibir, em qualquer hipĂłtese, o casamento de quem tem menos de 16 anos â antes havia exceçÔes previstas em lei.
- Igualdade de gĂȘnero. Inclui divisĂŁo do trabalho domĂ©stico, acesso a esporte, presença em carreiras de ciĂȘncia e tecnologia e enfrentamento ao assĂ©dio, dentro e fora da internet.
Como Ă© comemorado no Brasil
A data se apoia num arcabouço nacional jĂĄ existente. O Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei 8.069 de 1990, garante prioridade absoluta a crianças e adolescentes e cria o sistema de proteção formado por conselhos tutelares, conselhos de direitos e rede de assistĂȘncia social â a estrutura que executa, na ponta, aquilo que o 11 de outubro cobra no plano internacional.
Nas escolas, a data costuma virar projeto interdisciplinar: pesquisa sobre cientistas e escritoras brasileiras, rodas de conversa sobre permanĂȘncia escolar, oficinas de robĂłtica e programação voltadas a meninas, debates sobre segurança digital. Universidades e institutos federais promovem programas de mentoria em ciĂȘncias exatas. ONGs realizam campanhas de doação de absorventes, tema ligado Ă evasĂŁo escolar por falta de itens bĂĄsicos de higiene.
ĂrgĂŁos pĂșblicos aproveitam para divulgar canais de denĂșncia â Disque 100, para violaçÔes de direitos humanos, e Disque 180, para violĂȘncia contra a mulher â, ambos gratuitos e disponĂveis todos os dias.
A proximidade com o Dia das Crianças, no dia seguinte, ajuda: muitas escolas juntam as duas datas em uma Ășnica programação, aproveitando tambĂ©m a Semana da Criança. A diferença de tom vale ser explicada aos alunos â o dia 12 Ă© festivo, o dia 11 Ă© de direitos.
Ă feriado?
NĂŁo. O Dia Internacional da Menina nĂŁo Ă© feriado nacional nem ponto facultativo, e o expediente em 11 de outubro Ă© normal. O feriado do mĂȘs Ă© o do dia seguinte: 12 de outubro, de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, instituĂdo pela Lei 6.802/1980. Veja mais em 11 de outubro, na pĂĄgina de feriados de outubro, no Dia das NaçÔes Unidas e na lista de datas comemorativas do mĂȘs.