Dia Internacional da Menina

Uma data recente, criada pela ONU em 2011, com trĂȘs alvos claros: escola, fim do casamento infantil e igualdade.

Resposta rĂĄpida: o Dia Internacional da Menina Ă© celebrado em 11 de outubro. Foi instituĂ­do pela Assembleia Geral das NaçÔes Unidas em 2011, pela resolução 66/170, e teve a primeira edição em 2012. A data cobra direitos especĂ­ficos das meninas — permanĂȘncia na escola, fim do casamento infantil e igualdade de gĂȘnero — e nĂŁo Ă© feriado.

Origem da data

A proposta chegou Ă  ONU depois de anos de campanha de organizaçÔes da sociedade civil, que argumentavam algo simples: meninas eram invisĂ­veis nas estatĂ­sticas. Contadas ora como "crianças", ora como "mulheres", ficavam sem polĂ­ticas prĂłprias justamente na faixa etĂĄria em que as desigualdades se instalam — entre os 10 e os 19 anos.

Em 19 de dezembro de 2011, a Assembleia Geral das NaçÔes Unidas aprovou a resolução 66/170, que declarou o 11 de outubro como Dia Internacional da Menina. A primeira edição, em 2012, teve como tema o fim do casamento infantil. Desde entĂŁo, cada ano recebe um foco: educação, tecnologia, violĂȘncia de gĂȘnero, liderança, saĂșde.

O texto da resolução parte do reconhecimento de que meninas enfrentam barreiras acumuladas: abandono escolar precoce, trabalho domĂ©stico nĂŁo remunerado, gravidez na adolescĂȘncia, casamento forçado, mutilação genital em alguns paĂ­ses e menor acesso a formação tĂ©cnica. A data Ă© o instrumento de cobrança anual sobre esses pontos.

Os trĂȘs objetivos centrais

  • Educação. Manter meninas na escola Ă© a polĂ­tica que mais muda trajetĂłrias: adia a maternidade, amplia renda futura e reduz a exposição Ă  violĂȘncia domĂ©stica. O foco global estĂĄ na transição do ensino fundamental para o mĂ©dio, ponto em que a evasĂŁo feminina cresce.
  • Fim do casamento infantil. MilhĂ”es de meninas em todo o mundo ainda sĂŁo casadas antes dos 18 anos. No Brasil, a Lei 13.811, de 2019, alterou o CĂłdigo Civil para proibir, em qualquer hipĂłtese, o casamento de quem tem menos de 16 anos — antes havia exceçÔes previstas em lei.
  • Igualdade de gĂȘnero. Inclui divisĂŁo do trabalho domĂ©stico, acesso a esporte, presença em carreiras de ciĂȘncia e tecnologia e enfrentamento ao assĂ©dio, dentro e fora da internet.

Como Ă© comemorado no Brasil

A data se apoia num arcabouço nacional jĂĄ existente. O Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei 8.069 de 1990, garante prioridade absoluta a crianças e adolescentes e cria o sistema de proteção formado por conselhos tutelares, conselhos de direitos e rede de assistĂȘncia social — a estrutura que executa, na ponta, aquilo que o 11 de outubro cobra no plano internacional.

Nas escolas, a data costuma virar projeto interdisciplinar: pesquisa sobre cientistas e escritoras brasileiras, rodas de conversa sobre permanĂȘncia escolar, oficinas de robĂłtica e programação voltadas a meninas, debates sobre segurança digital. Universidades e institutos federais promovem programas de mentoria em ciĂȘncias exatas. ONGs realizam campanhas de doação de absorventes, tema ligado Ă  evasĂŁo escolar por falta de itens bĂĄsicos de higiene.

ÓrgĂŁos pĂșblicos aproveitam para divulgar canais de denĂșncia — Disque 100, para violaçÔes de direitos humanos, e Disque 180, para violĂȘncia contra a mulher —, ambos gratuitos e disponĂ­veis todos os dias.

A proximidade com o Dia das Crianças, no dia seguinte, ajuda: muitas escolas juntam as duas datas em uma Ășnica programação, aproveitando tambĂ©m a Semana da Criança. A diferença de tom vale ser explicada aos alunos — o dia 12 Ă© festivo, o dia 11 Ă© de direitos.

É feriado?

NĂŁo. O Dia Internacional da Menina nĂŁo Ă© feriado nacional nem ponto facultativo, e o expediente em 11 de outubro Ă© normal. O feriado do mĂȘs Ă© o do dia seguinte: 12 de outubro, de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, instituĂ­do pela Lei 6.802/1980. Veja mais em 11 de outubro, na pĂĄgina de feriados de outubro, no Dia das NaçÔes Unidas e na lista de datas comemorativas do mĂȘs.